domingo, 12 de junho de 2011

Diário de um Esquerdinha.

Desde a faculdade as pessoas me perguntavam se politicamente eu era de “esquerda” ou de “direita”. Em um texto que postei neste blog que se chama “O Paradoxo Ideológico e Partidário no Brasil” eu exponho minhas colocações sobre o que penso disso tudo e, já que não tenho vínculos políticos com ninguém, postarei aqui um diário pseudônimo do que já vi sobre alguns (não todos) esquerdinhas por aí.

“Olá, meu nome é Disney, minha mãe me deu este nome porque meu irmão mais velho, quando era criança,  gostava muito de passear no parque do Mickey Mouse nos EUA.

Meu irmão se chama York (só que o motivo deste nome é uma outra história e, não cabe aqui relatá-la), ele já é advogado bem sucedido, ganha muito dinheiro, mas formou-se em uma universidade particular. Eu? Bem, vou contar-lhes resumidamente minha história.

Estudei nos melhores colégios de classe média alta que há na minha cidade, fazia bagunça, mas, sinceramente, nunca gostei de estudar e, quando fui prestar vestibular, eu quis ser "chique" e ter um status maior que meu irmão, e prestei em uma universidade federal para o curso de história. Eu havia tentado outros cursos como direito, jornalismo e até medicina nas federais, mas vi que era muito difícil e, como sempre gostei de política, economia e história, prestei para história.

Na faculdade eu achava muito bonito me engajar pelas causas sociais, os partidos de esquerda possuem um discurso lindo em pró do social, entretanto, eu não abria mão de frequentar os melhores bares e boates da cidade nos finais de semana. Também, não abria mão de viajar para a Disney nas férias quando eu queria, mesmo eu sendo um crítico ferrenho do capitalismo.

Eu me sentia muito mal na faculdade federal por ter vindo de classe média alta e estudar ao lado de estudantes que vieram de escolas públicas. Aqueles pé-rapados, se sentem os intelectuais mas não estudaram em colégios bons como os que estudei, mesmo assim, podem ter mais sucesso na vida do que eu, por isso, eu os desprezava, os discriminava e, me engajava nas causas sociais para parecer-me um idealista perante a sociedade. Não estudava, vivia no DCE e no DA com outros que tinham mais razão para lutar contra as  desigualdades do que eu, mas eu fazia tudo por estas causas e pelo povo. Me sentia melhor do que que outros companheiros de sala que não estudavam porque tinham que trabalhar, além de eu ter uma justificativa para os meus primos ricos de estar ali por ser um idealista.

Também criei raiva dos médicos, engenheiros, advogados e todos aqueles representantes da “classe burguesa”. Só do meu pai que é um empresário industrial falido que não tenho raiva, porque ele é meu pai e, quando ainda seu negócio ia bem, o mesmo me passava a mesada no final do mês para eu continuar lutando pela causa proletária.

Quando eu pensei que eu estava lascado financeiramente (já estava com vergonha do meu irmão que já era milionário) e,  já adulto, ainda não havia me formado. Então, surgiu uma luz no fim do túnel, me filiei a um partido de esquerda, passei então a me engajar mais fortemente na causa operária, tudo pelo povo e, acabei virando sindicalista.

Como líder sindical minha vida melhorou bastante, eu já andava de carro do ano, depois veio os carros importados e, daí para me tornar deputado federal e prefeito da minha cidade foi um pulo.

Posteriormente, passei a investir no mercado de capitais, hoje sou um governista convicto e, meus companheiros vivem muito bem.

Ah! E o povo? E os proletários? Ainda continuo na causa por eles.”

3 comentários:

  1. Cara, muito bom! Gostei mesmo! Nós dois sabemos quantos desse tipo nós tivemos que aturar naquela UFG né meu velho... Abraço!

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  2. Aliás, por que não se "posicionar politicamente" meu amigo?! Pra agradar essa esquerdalha pseudo-socialista que domina nossos meios intelectuais? Você sabe bem que eu sempre me posicionei claramente: sou a favor do estado democrático de direito, com três poderes independentes, direitos civis, governantes eleitos e devidamente trocados dentro de um prazo determinado, enfim: aquela democracia de Montesquieu, Tocqueville, Locke e afins.
    Eu me lembro bem que os nossos colegas de faculdade esquerdistas me chamaram de facista por eu não ser a favor do estado totalitário socialista que eles querem. Lembro também que me chamavam de direitista no intuito de me ofender. Se ser de direita é estar bem distante dessa esquerdalha descabeçada maconheira do nosso país, eu sou direitíiiissimo!
    Abfraço!

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  3. Parabéns.
    Ótimo texto! Demonstrou conhecimento da Língua Portuguesa e destreza para prender a atenção do leitor.

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